REST não é bala de prata

Damien Katz - REST, I just don’t get it:

I guess what I mean to say is just because SOAP is a disaster, doesn’t somehow make REST the answer.

Isso vindo do criador do CouchDB, que é um dos melhores exemplos de uma interface REST.

Existem duas lições aqui, uma é que — por mais que REST seja o estilo de arquitetura extraído do maior e mais bem sucedido sistema de informação desenvolvido, seja simples (simples, não fácil), testando nos campos de batalha da web e tudo mais, não é bala de prata e nem deve ser considerado uma vaca sagrada.

Qualquer pessoa construindo um sistema que vai expor sua API, integrando sistemas distintos ou o que for, tem que ser capaz de considerar outras opções. Mesmo que por um breve instante, mesmo que isso signifique pensar em usar XML-RPC, mesmo que a solução — no final das contas — seja REST.

A segunda lição é, SOAP/WS-* é um desastre e ninguém, nem o mais eclético (e/ou herético) ser na terra consegue discordar.


Couchdb e Spidermonkey no Windows

Para instalar o couchdb no sistema operacional da Microsoft, é necessário — pelo menos por enquanto — gerar wrappers para o ICU e o spidermonkey. Isso requer fazer a dança da compilação em C++ no Windows.

A Mozilla tem uma lista de pré-requisitos para compilar seus projetos para Windows e, como me atenderia para gerar o wrapper do ICU também, optei por segui-la.

Instalei o Visual C++ 2008 Express e o SDK indicado, segui as instruções e o resultado: couch_js, coucherldriver e js-1.7.0-win32.

Use por risco e conta próprio. Não garanto que funcione, não tem suporte e não pretendo manter esses arquivos atualizados. Minha necessidade para eles é passageira, assim como qualquer interesse pela plataforma Windows.

Como não sei até que ponto outras pessoas estariam dispostas a fazer o mesmo (que não é prazeiroso, ainda mais para quem vive no mundo do apt-get), mas ainda assim gostariam de testar o couchdb e/ou o spidermonkey, estou disponibilizando eles online, AS-IS.


Efeito Randall

Fluxo de eventos:

  1. Randall Munroe (xkcd) pensa em piada parodiando o seu estilo editorial da Wikipedia e escolhe um artigo onde o estilo claramente não se aplica.
  2. Tirinha do xkcd é publicada.
  3. Todos os que lêem a tira vão imediatamente para o artigo relato. O primeiro resolve “ajustar” a enciclopédia.
  4. O artigo exibido na tirinha é bloqueado temporariamente por vandalismo.
  5. Hordas enfurecidas discutem o assunto, na própria Wikipedia.
  6. Em um dia o efeito perde força, em dois se dissipa.

Padrões precisam ser padronizados

É muito fácil implicar com tudo relativo ao mundo WS-. O meme pró-REST nos últimos anos ganhou muita força e os padrões WS- simplesmente se tornaram errados, nocívos ou corporativos.

Por outro lado, sempre achei que era necessário vivenciar o universo SOAP/WS-*, ênfase no último, para entender esse universo e suas peculiaridades. Achava que todos os críticos papagaios não eram de fato capazes de compreender o que estavam criticando.

Até agora. Senhores contemplem! Os grandes vendors por trás do mostro WS-* (IBM, Oracle, Microsoft) estão se mobilizando — aparentemente, afinal tudo pode mudar — para estabelecer mais alguns padrões WS-*, com o argumento de que “o acesso de dados de um recurso via web service ainda é algo a ser melhor explorado”.

Para explorar melhor essa funcionalidade, estão sendo propostos 4 (quatro) novos padrões, incluindo o WS-Transfer que visa, olha só, padronizar operações com recursos, vulgarmente conhecidas como GET, PUT, DELETE e CREATE (achou que era POST? Rá!), em uma simples interface.

O próximo insight provavelmente vai ser associar esses mecanismos de operação com recursos à um sistema de exibição e navegação em hipertexto. Imaginem as possibilidades.


O fato óbvio que todos deveriam perceber com o apagão da Telefonica

E, por mais de uma dúzia de razões, vai passar barato e ser esquecido em alguns meses: Todo monopólio é prejudicial.

Antes que alguém argumente que existe a NET, Oi e afins no mercado também, lembro que oligopólios também não são tão vantajosos assim.

Lembro de ter estudado um caso de uma empresa holandesa, a Oxxio, que — se não me falha a memória — ganha a vida distribuindo energia elétrica e gás. Ela não produz nenhum dos dois e sequer é dona dos meios físicos que transportam ambos para seus clientes.

Ela atua como uma abstração entre o cliente, que busca menores taxas e sustentabilidade, e os fornecedores e detentores dos meios de transmissão.

Seria como se o Brasil tivesse empresas donas das redes de telefonia (ou o próprio governo fosse dono, não é tão bizarro assim, a Telefonica herdou a rede de SP da TELESP); empresas “produtoras”, responsáveis por links e backbones e empresas de distribuição, que ofereceriam seus serviços aos clientes.

Não espero, entretanto, que um modelo desses se torne realidade no país do futebol enquanto eu for vivo.


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